Tensões no Médio Oriente trazem desafios para o Agronegócio
SãO PAULO, BRAZIL, April 21, 2026 /EINPresswire.com/ -- Em março, caíram 26% as exportações do Brasil para a região, que é importante consumidora de produtos como frango e açúcar, além de grande produtora de petróleo e de matérias-primas para fertilizantes importados pelo país, diz José Roberto Colnaghi
A agropecuária tem sido uma das estrelas da economia nacional nos últimos anos — só em 2025 cresceu 11,7% — e a participação do setor no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro tem vindo a avançar continuamente. Passou de 6,7% do PIB em 2022 para 7,1% no ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As colheitas recorde, a produção consistente de proteína animal, frutas e outros produtos, além da abertura de 500 novos mercados nos últimos três anos, levaram o Brasil a uma posição de destaque no comércio internacional.
Em 2025, as exportações do agronegócio atingiram 169,2 mil milhões de dólares, um patamar inédito para o país, mesmo perante as tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos. “É um volume notável, que mostra a resiliência do setor”, avalia José Roberto Colnaghi, presidente do Conselho de Administração da holding Colpar Brasil, que opera negócios em segmentos como agropecuária, indústria e urbanismo. Colnaghi acrescenta: “este ano, o agro está perante novos desafios em função das incertezas decorrentes das tensões no Médio Oriente”.
A balança comercial brasileira já está a ser impactada pelo conflito iniciado no último dia de fevereiro entre Estados Unidos, Israel e Irão, com reflexos nas nações vizinhas do país persa — que também passou a controlar o fluxo de navios comerciais no estratégico estreito de Ormuz. Por ali passam 20% do petróleo mundial, cujos preços globais mudaram de patamar desde então.
Queda nas exportações
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações para o Médio Oriente, um importante mercado para o Brasil, caíram 26% em março. O montante exportado para os 15 países da região caiu de 1,2 mil milhões de dólares em março de 2025 para 882 milhões neste ano. “O cenário está muito volátil. Se as tensões persistirem, os prejuízos para o Brasil vão aumentar”, diz José Roberto Colnaghi.
O Médio Oriente, por exemplo, absorve 30% das exportações brasileiras de frango, produto no qual o Brasil é líder global em exportações e, portanto, está mais exposto. Apesar do esforço para tentar manter o fluxo de 200 contentores por dia para a região afetada, houve uma queda de 18,5% nos volumes embarcados em março na comparação com fevereiro, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Culturas como milho e açúcar também são bastante sensíveis aos conflitos geopolíticos. Sendo insumo para rações animais, o milho requer fluxos contínuos de transporte e interrupções logísticas no Golfo, além do aumento do preço do frete marítimo, podem causar excesso de oferta no segundo semestre no Brasil. Já o açúcar também tem forte exposição ao Médio Oriente, pois o Brasil detém 51,5% das exportações globais do produto, sendo a região tensionada responsável por 17,1% dos embarques para o exterior.
Fertilizantes importados
Outro ponto crucial para o agro são os fertilizantes, uma vez que o Brasil importa cerca de 80% do que utiliza. O Médio Oriente representa cerca de 40% do comércio marítimo global de ureia — cujos preços chegaram a subir cerca de 70% — e contribui de forma relevante para a oferta de amónia e fertilizantes fosfatados. Segundo a empresa de fertilizantes Yara Brasil, 34% da produção mundial de ureia provém da região. A subida dos preços pressiona os custos de produção de culturas como milho, soja e cana-de-açúcar.
Além disso, há o impacto no preço do petróleo, uma vez que o Médio Oriente concentra grandes produtores globais. Com a eclosão do conflito e o fecho do estreito de Ormuz, a cotação do barril tipo Brent saiu de um patamar em torno de 70 dólares para cerca de 100 dólares. Para o agro brasileiro, isto traduz-se num aumento do custo do gasóleo, essencial para o transporte de insumos e escoamento da produção, que subiu mais de 20%, além de impactar o preço dos fretes marítimos. Como consequência, toda a cadeia logística fica mais cara, a reduzir a competitividade das exportações.
“Mesmo que as hostilidades cessem imediatamente, o preço do petróleo não voltaria ao nível anterior rapidamente”, pondera José Roberto Colnaghi. Isto porque grande parte da infraestrutura de produção da região foi destruída ou, pelo menos, severamente afetada. A recuperação de refinarias, terminais e oleodutos requer investimentos e tempo — especialistas do setor estimam que a normalização da cadeia pode levar um ano.
Inflação mais alta
Por fim, o resultado é um aumento da inflação a nível mundial e menor crescimento económico. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) estimou que o PIB global crescerá menos este ano (2,9%) do que em 2025 (3,3%). Para 2027, a OCDE cortou a previsão de crescimento mundial de 3,1% para 3%.
No Brasil, as consequências económicas também já estão a ser observadas. O Banco Central foi bastante cauteloso no corte de juros na reunião de março, a reduzir apenas 0,25 ponto percentual da taxa básica. A inflação também subiu. Em março, os preços aceleraram 0,88% (a previsão era 0,77%) e, no acumulado de doze meses, o índice subiu para 4,14%, acima dos 3,81% registados nos doze meses anteriores.
“É um cenário preocupante porque, com a inflação pressionada, os juros devem cair muito lentamente no Brasil. E o patamar altíssimo das taxas atuais inibe os investimentos produtivos, encarece o crédito e impacta negativamente as famílias, que já estão endividadas”, diz José Roberto Colnaghi. “Temos uma travessia delicada pela frente neste mar de incertezas”, conclui Colnaghi.
A agropecuária tem sido uma das estrelas da economia nacional nos últimos anos — só em 2025 cresceu 11,7% — e a participação do setor no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro tem vindo a avançar continuamente. Passou de 6,7% do PIB em 2022 para 7,1% no ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As colheitas recorde, a produção consistente de proteína animal, frutas e outros produtos, além da abertura de 500 novos mercados nos últimos três anos, levaram o Brasil a uma posição de destaque no comércio internacional.
Em 2025, as exportações do agronegócio atingiram 169,2 mil milhões de dólares, um patamar inédito para o país, mesmo perante as tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos. “É um volume notável, que mostra a resiliência do setor”, avalia José Roberto Colnaghi, presidente do Conselho de Administração da holding Colpar Brasil, que opera negócios em segmentos como agropecuária, indústria e urbanismo. Colnaghi acrescenta: “este ano, o agro está perante novos desafios em função das incertezas decorrentes das tensões no Médio Oriente”.
A balança comercial brasileira já está a ser impactada pelo conflito iniciado no último dia de fevereiro entre Estados Unidos, Israel e Irão, com reflexos nas nações vizinhas do país persa — que também passou a controlar o fluxo de navios comerciais no estratégico estreito de Ormuz. Por ali passam 20% do petróleo mundial, cujos preços globais mudaram de patamar desde então.
Queda nas exportações
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações para o Médio Oriente, um importante mercado para o Brasil, caíram 26% em março. O montante exportado para os 15 países da região caiu de 1,2 mil milhões de dólares em março de 2025 para 882 milhões neste ano. “O cenário está muito volátil. Se as tensões persistirem, os prejuízos para o Brasil vão aumentar”, diz José Roberto Colnaghi.
O Médio Oriente, por exemplo, absorve 30% das exportações brasileiras de frango, produto no qual o Brasil é líder global em exportações e, portanto, está mais exposto. Apesar do esforço para tentar manter o fluxo de 200 contentores por dia para a região afetada, houve uma queda de 18,5% nos volumes embarcados em março na comparação com fevereiro, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Culturas como milho e açúcar também são bastante sensíveis aos conflitos geopolíticos. Sendo insumo para rações animais, o milho requer fluxos contínuos de transporte e interrupções logísticas no Golfo, além do aumento do preço do frete marítimo, podem causar excesso de oferta no segundo semestre no Brasil. Já o açúcar também tem forte exposição ao Médio Oriente, pois o Brasil detém 51,5% das exportações globais do produto, sendo a região tensionada responsável por 17,1% dos embarques para o exterior.
Fertilizantes importados
Outro ponto crucial para o agro são os fertilizantes, uma vez que o Brasil importa cerca de 80% do que utiliza. O Médio Oriente representa cerca de 40% do comércio marítimo global de ureia — cujos preços chegaram a subir cerca de 70% — e contribui de forma relevante para a oferta de amónia e fertilizantes fosfatados. Segundo a empresa de fertilizantes Yara Brasil, 34% da produção mundial de ureia provém da região. A subida dos preços pressiona os custos de produção de culturas como milho, soja e cana-de-açúcar.
Além disso, há o impacto no preço do petróleo, uma vez que o Médio Oriente concentra grandes produtores globais. Com a eclosão do conflito e o fecho do estreito de Ormuz, a cotação do barril tipo Brent saiu de um patamar em torno de 70 dólares para cerca de 100 dólares. Para o agro brasileiro, isto traduz-se num aumento do custo do gasóleo, essencial para o transporte de insumos e escoamento da produção, que subiu mais de 20%, além de impactar o preço dos fretes marítimos. Como consequência, toda a cadeia logística fica mais cara, a reduzir a competitividade das exportações.
“Mesmo que as hostilidades cessem imediatamente, o preço do petróleo não voltaria ao nível anterior rapidamente”, pondera José Roberto Colnaghi. Isto porque grande parte da infraestrutura de produção da região foi destruída ou, pelo menos, severamente afetada. A recuperação de refinarias, terminais e oleodutos requer investimentos e tempo — especialistas do setor estimam que a normalização da cadeia pode levar um ano.
Inflação mais alta
Por fim, o resultado é um aumento da inflação a nível mundial e menor crescimento económico. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) estimou que o PIB global crescerá menos este ano (2,9%) do que em 2025 (3,3%). Para 2027, a OCDE cortou a previsão de crescimento mundial de 3,1% para 3%.
No Brasil, as consequências económicas também já estão a ser observadas. O Banco Central foi bastante cauteloso no corte de juros na reunião de março, a reduzir apenas 0,25 ponto percentual da taxa básica. A inflação também subiu. Em março, os preços aceleraram 0,88% (a previsão era 0,77%) e, no acumulado de doze meses, o índice subiu para 4,14%, acima dos 3,81% registados nos doze meses anteriores.
“É um cenário preocupante porque, com a inflação pressionada, os juros devem cair muito lentamente no Brasil. E o patamar altíssimo das taxas atuais inibe os investimentos produtivos, encarece o crédito e impacta negativamente as famílias, que já estão endividadas”, diz José Roberto Colnaghi. “Temos uma travessia delicada pela frente neste mar de incertezas”, conclui Colnaghi.
Silvania Dal Bosco
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